terça-feira, 10 de novembro de 2009

Aécio Neves terá mais chances de vencer Dilma do que Serra

É difícil - quase impossível - convencer um candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas que ele não tem chances de vencer a eleição. É o que indica a pesquisa Vox populi divulgada nesta terça-feira (10) trazendo Aécio Neves como o pré-candidato menos rejeitado.

De acordo com o levantamento, apesar de uma queda, José Serra continua no topo, com 36%. Dilma Roussef cresceu e agora vem em segundo, com 19%. Ciro Gomes tem 13%; seguido de Heloísa Helena, com 6%; e Marina Silva, 3%.

Numa disputa entre Aécio e Dilma, a petista fica em primeiro, com 20%; e Aécio atrás de Ciro Gomes, com 18%.

Numa análise fria, considero Aécio Neves o candidato com o maior potencial de crescimento entre as candidaturas da oposição. Ele aparece apenas com 5% de rejeição, menos que a metade da Dilma, que tem a maior rejeição: 12%.

Outro fator positivo para o tucano de Minas Gerais é a sua baixa popularidade. Como Serra já foi Ministro e candidato à presidente com o apoio de FHC, ele é muito mais conhecido e rejeitado (11%) que Aécio. Ou seja, tem mais dificuldades para crescer.

Aécio, por sua vez, tem uma imagem mais distante de FHC e pode ampliar sua base eleitoral nos segmentos que ainda não o conhecem, que desconhecem sua atuação política em Minas Gerais. O trabalho de criação de uma imagem desejada também será mais fácil, já que sua personalidade não é tão conhecida no País.

Entretanto, convencer Serra de que Aécio será o melhor candidato é uma tarefa delicada, às vezes impossível. Isso ocorreu com Alckmin, em 2008, que iniciou a disputa pela prefeitura paulistana na dianteira e terminou em terceiro lugar, sendo ultrapassado por Kassab, que começara a campanha com apenas 6%.

Rejeição e potencial de crescimento à parte, relaciono outras virtudes de Aécio: carisma e presença de TV. Aécio é muito mais carismático que o Serra, apesar de uma considerável mudança no humor do governador paulista. Na TV, o mineiro dá um verdadeiro show, sendo mais verdadeiro e convincente que todos os demais pré-candidatos.

Se o PSDB quiser entrar realmente para ganhar, precisa apostar em Aécio. Serra poderá chegar ao segundo turno, porém dificilmente vai conseguir vencer a Dilma, amparada pela boa avaliação do governo Lula.

domingo, 8 de novembro de 2009

Como criar um jingle para deputado

Antes de tudo, é preciso compreender que existem dois tipos de jingles: dos candidatos majoritários e dos proporcionais. E cada tipo tem um formato diferente e uma linguagem distinta. Porém, o que vemos na prática é uma completa falta de profissionalismo.

O jingle para uma campanha de deputado precisa ser “curto e grosso”, valorizando a mensagem principal, slogan, o nome do candidato e o número. Na Paraíba, Por exemplo, serão cerca de 500 candidatos a deputado, cada um com seu jingle. Ou seja, uma profusão de mensagens que acaba poluindo a cabeça do eleitor.

Agora vamos pensar como um eleitor, que estará suscetível a centenas de jingles. Será que o principal (mensagem, nome e número) estará sendo assimilado pelo eleitor??? É óbvio que não. A maioria dos jingles cai no erro de contar uma “historinha” infindável do candidato, repleto de adjetivos positivos e que não dão valor ao principal: mensagem, nome e número.

É preciso entender a função de um jingle numa candidatura proporcional. O jingle não convence o eleitor a votar! Ele apenas lembra o candidato, seu nome, número e mensagem principal. É um reforço de toda a comunicação da campanha, faz parte do MIX de marketing (4Ps). Muitos políticos caem na ilusão de que o jingle vai convencer o eleitor a votar. Puro engano. Um jingle deve ser repetitivo, com duas ou três frases de efeito e um bom destaque no slogan do candidato.

Jingle bom é aquele que faz o eleitor inconscientemente “cantar” a melodia, decorando o número e o nome do candidato espontaneamente.

Por outro lado, as candidaturas majoritárias (prefeito, governador e presidente) devem e podem construir um jingle mais substancial, mais longo e menos repetitivo. Aqui a concorrência é menor, cerca de cinco candidaturas em disputa. O eleitor terá mais facilidade em absorver a mensagem do jingle.

ATENÇÃO: Comunicação é o que os outros entendem, não o que a gente fala!

Letra definida é hora de pensar na musicalidade da peça publicitária. Um jingle - salvo raras exceções - precisa ser alegre e contagiante. Uma boa maneira para não errar, é sempre utilizar ritmos locais, que o eleitor já esta acostumado. Exemplo: frevo em Pernambuco, forró na Paraíba, samba no Rio de Janeiro... e assim vai.

Uma campanha eleitoral precisa ser contagiante, precisa de carisma e alegria. E jingle é música! Ele estará presente em carreatas, passeatas e demais eventos com participação popular.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Dicas do Duda Mendonça: como construir um jingle

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domingo, 1 de novembro de 2009

A Paraíba não debate política. Discute eleção!

Costumo escrever e apresentar dicas de marketing político, eleitoral e governamental. Mas abro um parêntese para fazer uma crítica à antecipação do debate da sucessão de 2010, já que boa parte da imprensa vem colaborando com este fuxico eleitoral que nada contribui para o crescimento da Paraíba.

Existe uma ilusão alimentada pela imprensa de que o paraibano respira política. Mas na verdade, é induzido a respirar eleição. A meu ver, discutir política é defender prioridades na administração pública com foco na sociedade; é criar programas sociais que tragam melhorias sólidas ao contribuinte que trabalha vários meses no ano apenas para pagar imposto. Debater política é reduzir encargos para trazer empresas que realmente empregam como montadoras de carro, refinarias, metalúrgicas, etc.

Infelizmente, para muitos, debater política é tentar adivinhar quem será o vice do Maranhão ou quem vai poder contar com o apoio do Cássio.

Ninguém está preocupado se há anos a Paraíba vem dividindo o ranking de Estado mais pobre do País com Alagoas, Maranhão, Piauí e Sergipe. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a Paraíba possui 29, 20% de pobres. Ou seja, a cada 10 paraibanos, 3 são considerados pobres.

As nossas maiores indústrias geradoras de empregos ainda se chamam “Estado” e municípios. Os cargos comissionados são partilhados como se representassem um prêmio para o grupo vencedor. Serve ainda como moeda de troca para agregar partidos e líderes políticos que mudam de posição de acordo com as fases da lua.

Fora a falta de qualidade no debate político, ainda tem o problema da miopia política e da perniciosa lógica do “quanto pior, melhor”. Quem está na oposição torce para que o governo não obtenha êxito e fracasse. E como, geralmente, a oposição e situação se revezam no poder a cada oito anos, deduzimos que a Paraíba vive com o freio de mão puxado. É um eterno tiroteio, e que infelizmente tem o povo paraibano mais humilde como vítima.

Talvez, um dia, quando os que se acham formadores de opinião conseguir enxergar os malefícios da antecipação do processo eleitoral, podemos enfim, ter um debate qualificado e vislumbrar um horizonte de modernidade e crescimento econômico.

Vamos nos espelhar em Pernambuco e Rio Grande do Norte.